Às vésperas da leitura do relatório final da CPI do Daerp, o vereador Marcos Papa (Rede), presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito que investigou irregularidades no contrato envolvendo o Daerp e a empresa Aegea, elogiou a deflagração da quinta fase da Sevandija: a Operação Callichirus.

“Muito bem-vinda a Operação Callichirus. A Sevandija tem que ter seus desdobramentos. Precisamos levar os responsáveis à cadeia e o dinheiro roubado de volta aos cofres públicos. Ribeirão Preto precisa desse dinheiro”, enfatizou.

Marcos Papa é responsável pelo bloqueio judicial de R$ 18,3 milhões da empresa Aegea. O parlamentar defendeu o bloqueio junto ao Gaeco, que, por sua vez, concordou e formalizou o pedido à Justiça, que acatou. “O delinquente travestido de autoridade vai preso, faz delação e consegue redução da pena. Mas e o dinheiro público desviado? Neste caso, voltará aos cofres públicos quando a empresa for condenada”, frisou.

Operação Callichirus

Nesta terça-feira (13), três pessoas foram presas e cinco mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Santa Bárbara d’Oeste, Indaiatuba, Mauá e São Paulo. Segundo a Polícia Federal, os presos são suspeitos de pagamento de propina e lavagem de dinheiro desviado do Daerp, a partir de contratos fraudados com a Aegea Saneamento S.A.

Os presos são André Teixeira, gerente financeiro da Aegea, Telma Regina Alves, ex-namorada de Marco Antônio dos Santos, ex-superintendente do Daerp, e Murilo Pires, apontado como laranja do esquema. Marco Antônio está preso desde março de 2017.

Ainda de acordo com a Polícia Federal, Marco Antônio recebeu propina mesmo depois de preso pela Sevandija, que foi deflagrada em 1° de setembro de 2016. A Operação investiga quatro esquemas de corrupção praticados no governo da ex-prefeita Dárcy Vera.

Marcos Papa denunciou três dos quatro esquemas desmantelados.Vamos fazer uma coletiva de imprensa na próxima semana e mostrar, no caso da CPI do Daerp, porque o nosso trabalho representou não uma pista, mas uma avenida para a Polícia Federal e o Ministério Público atuarem e fazerem o trabalho que fizeram”, ressaltou.

Dárcy Vera foi condenada a 18 anos de prisão no esquema que desviou R$ 45 milhões a partir do pagamento indevido de honorários advocatícios à ex-advogada do Sindicato dos Servidores Municipais Maria Zuely Librandi. O esquema também foi denunciado por Papa.

 CPI do Daerp

Apesar de ter solicitado a abertura da CPI do Daerp, na Câmara, mais de um ano antes de a Sevandija ter sido deflagrada, Marcos Papa só conseguiu instalar a Comissão de Inquérito depois que a Operação afastou nove vereadores da base governista.

“Levei a ata da votação para o Gaeco. As evidências de superfaturamento e de direcionamento para a Aegea eram evidentes, a nossa investigação provou isso. É grande o volume de documento que produzimos como prova”, destacou.

Marcos Papa ainda lembrou que quando convocados para depor na CPI, o presidente da Aegea Participação S/A, Hamilton Amadeo, e o diretor financeiro e de relações com os investidores da empresa, Flávio Crivelari, se negaram a responder as perguntas, amparados por habeas corpus.

“Isso não me impediu de desmascará-los na ONU porque eles eram signatários do Pacto Global Anticorrupção. Quando conseguiram esse contrato, superfaturado e direcionado, fizeram festa na Bolsa de Valores, mas depois escondiam dos acionistas que eram criminalmente investigados em Ribeirão Preto”, reforçou.

O presidente da CPI ainda acrescentou: “Tivemos que ter uma assessora técnica muito qualificada e empenhada para encontrar vestígios, encontrar provas, formular denúncias, e nós precisamos que a Justiça continue avançando”.

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