Presidida pelo vereador Marcos Papa (Cidadania), a CEE (Comissão Especial de Estudos) de Saúde Mental e Prevenção ao Suicídio debateu as subnotificações de tentativas de suicídio em Ribeirão Preto, durante reunião na última quarta-feira (2).  

A Comissão ouviu Dalila Viana de Freitas, bióloga, pesquisadora do tema e representante da Associação Paulista de Saúde Pública, que mostrou que, nos últimos 10 anos, Ribeirão registrou 464 suicídios e 1.341 notificações de lesões autoprovocadas.   

Crédito das fotos: Aline Pereira / Comunicação da Câmara

Porém, o número de lesões autoprovocadas pode ser muito maior. Isso porque a ficha preenchida por profissionais de Saúde, o Sisam (Sistema de Informação para Saúde Mental) – padronizado pelo Ministério e pela Secretaria Estadual de Saúde -, é usada para vários tipos de notificações, não apenas para tentativa de suicídio.

A complexidade do sistema dificulta o trabalho dos profissionais de Saúde e dificulta uma leitura rápida e detalhada, por parte do poder público, com vistas às ações preventivas e políticas públicas. Em Ribeirão, o formulário ainda é manual.

Segundo Dalila, a Coordenadoria Municipal de Saúde Mental afirmou que o formulário online estará disponível em breve em Ribeirão Preto. Ainda de acordo com a especialista, a pessoa que tenta o suicídio tem sete vezes mais chance de morrer por suicídio.     

Marcos Papa ressaltou a importância das notificações e afirmou que levará os problemas apontados pela representante da Associação Paulista de Saúde Pública ao deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania) para que ocorram discussões no Congresso Nacional e, consequentemente, as melhorias necessárias na instância federal.   

Os indícios de suicídio são diagnosticáveis. Se a pessoa tiver um atendimento no campo da saúde mental, podemos evitar muitos suicídios. Estamos aprimorando isso, mas sem notificações o Poder Público fica sem um planejamento adequado. Estamos falando na saúde mental, mas esse raciocínio é extensivo as outras áreas”, frisou Papa.

O presidente da CEE também enfatizou a importância de se falar mais de saúde mental e de suicídio. “Ainda não inventamos um remédio para que toda a população tenha saúde mental perfeita, mas nós já inventamos a tecnologia para fazer um bom preenchimento das notificações e um bom estudo dessa base de dados a fim de se traçar um planejamento mais eficiente. Isso já está ao nosso alcance”, concluiu Papa.

Em razão do Setembro Amarelo, o mês de campanha de conscientização sobre a prevenção ao Suicídio, o cronograma de oitivas da CEE de Saúde Mental está sendo intensificado. As próximas reuniões ocorrerão dia 16/09, às 16h30, e dia 30/09, às 15h. As reuniões são públicas e podem ser acompanhadas presencialmente, no plenário da Câmara, ou remotamente pela TV Câmara e canais oficiais do Legislativo.

Assista a reunião na íntegra:

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