Com o objetivo de agilizar uma consulta oftalmológica e impedir que uma munícipe tenha que trancar a matrícula do supletivo por não conseguir ler o material escolar, a CEE (Comissão Especial de Estudos) da Fila do SUS encaminhou uma munícipe à Defensoria Pública de Ribeirão. A sugestão foi feita pelo vereador Marcos Papa (Rede), presidente da comissão, e aprovada pelos membros na reunião realizada na última quinta-feira (19).

Valquíria Rios é usuária do SUS e afirma ter ido cinco vezes até a UBS Presidente Dutra, onde passou por consulta com clínico geral e foi informada que o atendimento com médico especialista pode demorar entre 10 meses e um ano.

“A cidade está negando acesso a uma consulta oftalmológica para que a munícipe possa viver com qualidade de vida e até estudar. Era tudo o que a prefeitura deveria estar desejando: que o munícipe tivesse mais qualificação, para ter um emprego melhor, para que atendesse melhor as necessidades da casa, da família e do trabalho. A munícipe está sendo cerceada pela administração municipal”, frisou Marcos Papa.

Para Valquíria, que prestou depoimento à CEE, esperar por uma consulta médica por até 90 dias é compreensível. “Mas um ano é muita coisa. É um absurdo eu ter que trancar a minha matrícula, trancar o meu curso por uma coisa que eu acho que a cidade tem que melhorar, tem que fazer melhoria na saúde, que está péssima”, declarou.

A depoente ainda complementou: “Não pude fazer a prova esse mês porque eu não enxergo. Eu não enxergo! Não posso esperar até o ano que vem, não posso perder o ano. Eu preciso ver vídeo, tenho matérias para serem estudadas. Nem na fila estou. Essa consulta com um oftalmo nem foi agendada”.

Crédito das fotos: Aline Pereira / Comunicação da Câmara

Questionada sobre a qualidade do atendimento na UBS Presidente Dutra, Valquíria o classificou como “péssimo”. “Não tem orientação, não tem acolhimento, a gente sai de lá derrotada, destruída. Eu não acho ruim, eu acho péssimo. Eu particularmente estou juntando dinheiro para pagar uma consulta particular. A gerente disse que eu poderia procurar até o “Papa”, que ela não tem culpa, muito menos os médicos”, enfatizou a munícipe referindo-se ao principal líder mundial da Igreja Católica.

Papa ressaltou que, mais uma vez, a CEE das Filas do SUS “revelou um caso escandaloso, inaceitável, de uma munícipe que mora em Ribeirão Preto, paga os seus impostos, tem família em Ribeirão, há uma unidade de saúde no bairro e ela não tem atendimento”.

“Essa é uma Comissão de Estudo, não é uma CPI, mas nada nos impede de transformá-la em Comissão Parlamentar de Inquérito para responsabilizar casos de omissão, como esse, com a força da lei. Vamos encaminhar à Defensoria que certamente tomará as providências cabíveis. Antes que seja um caso de Polícia, é um caso de Justiça”, concluiu.

Na mesma reunião, a CEE ouviu três médicos especialistas em redução de filas do SUS.

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